1999: a devolução de Macau e o que mudou em Gongbei
Quando Macau voltou à soberania chinesa em 1999, a fronteira em Gongbei não desapareceu — mas o fluxo de gente e negócio entre as duas cidades cresceu muito além do que existia antes.

Macau foi administrada por Portugal por mais de quatro séculos, desde meados do século XVI. Em 20 de dezembro de 1999, a soberania sobre o território voltou para a China, sob a fórmula "um país, dois sistemas" — o mesmo princípio usado dois anos antes na devolução de Hong Kong, que garante a Macau um sistema econômico, legal e alfandegário próprio por um período determinado, dentro do arranjo constitucional chinês.
Uma fronteira que continuou sendo fronteira
Um erro comum de quem não conhece a região é achar que a devolução apagou a fronteira entre Zhuhai e Macau. Não apagou: Macau segue sendo uma Região Administrativa Especial, com moeda própria (a pataca), sistema alfandegário próprio, e controle de fronteira independente do território continental — inclusive para cidadãos chineses do continente, que precisam de autorização específica para entrar em Macau, exatamente como um visitante entra em Zhuhai vindo de Macau.
O que a devolução mudou foi o estatuto político do território, não a mecânica da travessia diária. O posto de Gongbei, que já existia como fronteira entre o continente e a colônia portuguesa, continuou sendo fronteira depois de 1999 — só que agora entre duas partes do mesmo país, sob arranjos que foram ficando gradualmente mais integrados nas décadas seguintes.
O crescimento que veio depois
O que a devolução abriu foi espaço político para aprofundar a relação entre Zhuhai e Macau de um jeito que teria sido mais complicado sob soberania estrangeira. Nas duas décadas seguintes, o volume de travessias em Gongbei cresceu até ele se tornar, em anos de pico, a fronteira terrestre mais movimentada da China — dezenas de milhões de passagens por ano, entre trabalhador que atravessa diariamente, morador de Macau que vem a Zhuhai pelo custo de vida menor, e turista que faz o caminho inverso.
Esse crescimento também abriu caminho, política e economicamente, para o passo seguinte: a criação, décadas depois, de uma segunda fronteira dedicada — o posto de Hengqin, já pensado desde o início para funcionar com inspeção conjunta e fluxo maior — e, mais adiante ainda, para o próprio Plano de Hengqin, que aprofunda a integração entre Zhuhai e Macau muito além do que a simples devolução de 1999 já permitia.
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