Coral azul-raro é descoberto em águas rasas de Zhuhai
Espécie inédita, batizada de 'Azul dos Sonhos', foi identificada perto da Ilha Outer Lingding e publicada em revista internacional.

Uma cor azul vibrante e 'onírica' chamou a atenção de cientistas nas águas rasas de Zhuhai. A espécie, batizada de Coral Curvo Azul dos Sonhos (梦之蓝曲柳珊瑚, Curvagorgia caerulea), foi oficialmente descrita como um novo gênero e nova espécie de coral octocoral, representando o primeiro achado desse tipo no mar raso da China no século 21.
O trabalho foi realizado por uma equipe liderada pelo Instituto de Farmácia Marinha da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Guangxi (广西中医药大学), em parceria com a Universidade Sun Yat-sen (中山大学), a Universidade Sam Ratulangi (Indonésia), a Universidade de Tóquio e o Instituto de Pesquisa Marinha da Academia Chinesa de Ciências. A descoberta foi publicada na revista internacional de sistemática e evolução animal.
O ponto de partida para a identificação foi a Ilha Outer Lingding (外伶仃岛), na zona marítima de Zhuhai, parte do arquipélago de Wanshan (万山群岛). Os pesquisadores coletaram três amostras: duas em abril de 2025, a cerca de 27 metros de profundidade em Xiongdiyu (兄弟屿), no Mar da China Oriental, e a terceira em agosto do mesmo ano, a aproximadamente 19 metros de profundidade em Outer Lingding.
Segundo a professora Liu Lan (刘岚), da Faculdade de Ciências do Mar da Universidade Sun Yat-sen, a aparência distintiva é apenas a ponta do iceberg. O que realmente define a nova classificação são estruturas microscópicas, como pequenos espinhos ósseos curvados com menos de um milímetro de diâmetro, cuja superfície apresenta protuberâncias e arranjos específicos. Essas características, visíveis apenas em microscópios eletrônicos, diferenciam a espécie de todos os corais curvos conhecidos.
Para confirmar a descoberta, a equipe utilizou uma abordagem de taxonomia integrada, combinando observações morfológicas detalhadas com sequenciamento de DNA de alta vazão. Foram comparados mais de 2.000 loci genômicos, o que permitiu validar que o organismo constitui um ramo evolutivo independente. O processo exigiu o cruzamento de dados com literatura histórica global para excluir qualquer semelhança com espécies já catalogadas.
A descoberta reforça a importância da região de Zhuhai e do arquipélago de Wanshan para a biodiversidade marinha da China. Para os cientistas, o achado indica que, mesmo em áreas costeiras próximas a centros urbanos, ainda existem espécies por descobrir. Esses registros servem como base para futuras políticas de monitoramento e conservação dos ecossistemas marinhos locais.
Com informações de zhuhai.gov.cn
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