Exposição em Hengqin revela 52 mapas raros da história de Macau
Mostrada até junho de 2026, a mostra reúne cartografia antiga de Portugal, Holanda e China para contar a evolução da região.

Para quem visita a zona de cooperação entre Guangdong e Macau, há uma atração cultural imperdível no momento: uma exposição com 52 mapas antigos e raros. Intitulada 'Macau e Hengqin nos Mapas Globais', a mostra fica aberta ao público no Museu de Planejamento de Hengqin até junho de 2026, oferecendo uma viagem visual pela história das duas áreas.
A curadoria, organizada pelo Bureau de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin e pela Biblioteca da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, destaca como a região passou de uma fronteira marítima distante para um ponto de encontro entre civilizações. Os visitantes podem ver documentos que datam do século XVI, incluindo o 'Mapa do Condado de Xiangshan' de 1548, que registra pela primeira vez as montanhas de Hengqin em mapas chineses.
Um dos destaques é a seção sobre a era das Grandes Navegações. Mapas ocidentais, como o 'Mapa de Navegação da Foz do Rio das Pérolas' (1620-1626), guardado na Biblioteca Nacional de Portugal, mostram como os europeus rotularam a área. Nesses desenhos, o nome 'Amção' aparece como referência ao condado de Xiangshan (hoje Zhuhai), enquanto 'Macao' entra oficialmente no vocabulário cartográfico mundial. Esses documentos provam que a região era um hub vital para o comércio entre o Oriente e o Ocidente.
Outro ponto interessante é a precisão técnica dos mapas do século XVIII. O 'Mapa das Águas ao Redor de Macau' de 1785, baseado em dados da terceira expedição do capitão James Cook, detalha as profundidades e correntes da foz do rio, essencial para os navios que iam a Guangzhou. Já o mapa de 1831, da Biblioteca de Harvard, mapeia com clareza as rotas de navegação que conectavam Macau ao interior da China, antes mesmo da abertura de Hong Kong.
A exposição também mostra a transição para a conectividade terrestre. Um mapa da rota rodoviária entre Qifa e Guan (1950-1959) ilustra a primeira ligação por estrada entre Macau e o continente, inaugurada em 1936. Essa via, com 19 estações, foi crucial para o transporte de pessoas e mercadorias, criando a espinha dorsal da integração econômica que vemos hoje.
O passeio pela exposição termina com uma comparação visual de 1991 a 2024, mostrando a transformação urbana acelerada. A entrada é gratuita, mas é recomendável verificar os horários de visita guiada. O museu está fechado às segundas-feiras; de terça a sexta, as visitas são às 10h e 15h; e aos fins de semana, às 11h e 16h.
Essa imersão na cartografia histórica ajuda a entender a identidade única de Hengqin e Macau. Mais do que linhas em papel, os mapas contam a história de uma região que sempre esteve na interseção entre o mar e a terra, entre o local e o global, convidando o turista a refletir sobre o passado enquanto explora o futuro da cidade.
Com informações de hengqin.gov.cn
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