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terça-feira, 25 de agosto de 2026 · Horário de Zhuhai
Tecnologia

Robôs, drones e carros autônomos: a cidade do futuro já é realidade em Hengqin

Região vizinha a Macau testa frota integrada de veículos não tripulados em terra, água e ar. Projeto deve ser concluído ainda este ano.

Transportehengqin
Robôs, drones e carros autônomos: a cidade do futuro já é realidade em Hengqin

Imagine um bairro onde a limpeza das ruas é feita por robôs, barcos autônomos monitoram a qualidade da água e drones patrulham o céu sem intervenção humana. Em Hengqin (横琴), na Zona de Cooperação Profunda Guangdong-Macau, essa ficção científica virou rotina. A região está finalizando a construção de um sistema integrado de veículos não tripulados que opera simultaneamente em terra, na água e no ar.

O centro nervoso dessa operação é o Centro de Controle do Sistema Inteligente Não Tripulado de Todo o Espaço (横琴全空间智能无人体系管控中心). Em uma grande tela, técnicos acompanham em tempo real o trajeto de 13 drones, 42 veículos terrestres e duas embarcações autônomas. O sistema unifica diferentes marcas e tipos de equipamentos, como os ônibus autônomos RoboBus e os táxis RoboTaxi. Se um drone desvia da rota ou fica com pouca bateria, o alerta é imediato e um plano de ação é gerado automaticamente.

Para que essa frota converse entre si, foi necessária uma infraestrutura digital robusta. Hengqin planeja instalar 48 estações base 5G-A com capacidade integrada de comunicação e sensoriamento. Destas, 25 já estão instaladas, cobrindo o espaço aéreo abaixo de 300 metros. Quando concluída, a rede terá cobertura de 50 quilômetros quadrados, permitindo rastrear drones com precisão de menos de um metro até 20 metros, com taxa de sucesso na detecção de múltiplos alvos superior a 95%. A tecnologia de inteligência artificial consegue filtrar interferências, como pássaros, mantendo a taxa de falsos alarmes extremamente baixa.

Os resultados práticos já aparecem. Até agora, foram realizadas mais de 1.880 missões de voo, totalizando mais de 4.184 quilômetros percorridos. Para a polícia local, o uso de drones automatizados reduziu o custo de cada voo para 40% do valor tradicional e diminuiu em mais de 30% a pressão sobre o patrulhamento terrestre. Além dos drones, já foram instaladas 13 plataformas de pouso automatizadas, 52 pontos de monitoramento em locais altos e quatro equipamentos de monitoramento da qualidade da água no Rio Tianmu (天沐河).

A atração de empresas segue o ritmo da inovação. Gigantes como a sede regional da Airbus Helicopters, Huabin General Aviation e AVIC General Aircraft estabeleceram operações na área. No setor de direção autônoma, empresas como Pony.ai, Neolix e WeRide já testam seus serviços. No segmento de barcos não tripulados, a Zhuhai Fanwang Tech é um exemplo de empresa que cresceu dentro do ecossistema de Hengqin.

Um diferencial estratégico é a conexão com Macau. A Associação de Engenheiros de Sistemas Não Tripulados (SUSE) adotou o modelo de registro em Macau e operação em Hengqin. Isso permite usar a janela internacional de Macau e suas conexões com países de língua portuguesa para levar padrões técnicos desenvolvidos na China para o mundo. Especialistas como os acadêmicos Xiang Jinwu, Chen Dake e Zhang Ping, além do professor Han Zitian da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, têm participado ativamente desse intercâmbio.

A integração entre as duas cidades deve ganhar um novo capítulo com a logística. Está em andamento um projeto para criar o primeiro cenário de logística não tripulada transfronteiriça da China. O foco inicial é resolver dificuldades de entrega no campus da Universidade de Macau em Hengqin. Com o apoio de novas medidas da Administração Geral das Alfândegas, publicadas no final de 2025, espera-se agilizar o transporte de medicamentos e produtos frescos entre as duas regiões.

O caminho para regulamentar essa nova realidade avança junto com a tecnologia. Em dezembro de 2023, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério do Comércio emitiram diretrizes para apoiar a construção deste sistema em Hengqin. Em novembro de 2025, o Conselho de Estado reforçou a necessidade de acelerar a aplicação desses cenários. Duas novas políticas locais estão sendo preparadas para regular a gestão do espaço aéreo e a classificação de dados.

A meta para 2026 é clara: sair da fase de demonstração para a operação em escala. O plano inclui concluir a infraestrutura de seis categorias, como mapas de rotas aéreas e centros de dados, e entrar em operação teste até o final do ano. A região pretende finalizar pelo menos 20 projetos de padrão técnico e duas propostas de política regulatória. Hoje, já existem 330 quilômetros de vias abertas para testes de direção autônoma, com mais de 910 mil quilômetros rodados sem acidentes e atendendo mais de 95 mil pessoas, incluindo 20 mil residentes de Macau.

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Com informações de hengqin.gov.cn

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